(31) 3555-1188 ver.tarcisiocaixeta@cmbh.mg.gov.br

Redes sociais: tecnologia avança, privacidade cai

Breno Muniz, especialista em segurança na internet

“Quer privacidade? Sai do Facebook”. Inspirada nas divertidas comunidades do ultrapassado Orkut, a frase faz todo sentido para os usuários da maior rede social digital do momento.  De acordo com o especialista em tecnologia e segurança na internet, Breno Muniz, do Grupo Brasiweb, de Belo Horizonte, a rede social que revolucionou a forma de interação no ambiente digital é, também, um mecanismo de controle, baseado nos dados que cada um de nós disponibiliza na rede, muitas vezes, sem conhecimento da própria exposição.

“No Facebook, é possível manipular dados, dissimular o foco dos assuntos, assim como identificar quem postou o quê, influenciado por quem, influenciando quantas pessoas, quando foi feita a postagem e exatamente de onde partiu”, ressalta Breno, destacando a funcionalidade de um dos programas desenvolvidos por ele. “Foi assim que, a pedido do Cruzeiro, conseguimos identificar quem tinha postado uma informação confidencial sobre o site que seria lançado e o responsável foi detido”, diz.

Os 65 milhões de usuários ativos do Facebook – só no Brasil – configuram um valioso banco de dados, negociado no mercado da informação. “O narcisismo na rede movimenta o mercado. A pessoas pagam para ganhar likes, por exemplo; é uma forma de propaganda”, afirma Breno.

As informações disponibilizadas pelos usuários e armazenadas nos sistemas digitais são usadas nas estratégias de marketing das empresas. “Por isso, muitas vezes, recebemos correspondências com ofertas de produtos e serviços sem nunca termos solicitado ou preenchido cadastros específicos para os remetentes”, explica.

A partir dos dados da rede social, sistemas de monitoramento estabelecem, por exemplo, rankings que revelam as preferências dos usuários por marcas, celebridades, partidos políticos e figuras públicas, entre outras. “O Guaraná Antártica, por exemplo, é a mais forte das marcas do país, à frente da Coca Cola, com mais de 17 milhões de fãs. E a maior celebridade no Facebook é o Luciano Huck”, aponta Breno.

Ler atentamente os termos apresentados em alguma página, antes de aceitar as condições do site, e desabilitar cookies (arquivos criados por um site visitado com informações sobre a navegação do usuário) são alguns cuidados que ajudam a minimizar os efeitos do compartilhamento de dados na rede, mas não elimina a exposição. “A internet faz parte da nossa realidade. A tecnologia é uma estrada sem retorno”, ressalta o especialista.

Sobre as estatísticas do Facebook, vale ressaltar que neste ano, a empresa divulgou um relatório extenso em que admite que até 11% da base de usuários da rede pode ser falso. Para saber mais, clique aqui.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *