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Berenice Menegale destaca homenagem do mandato

“O fato de ser a Câmara de Vereadores da cidade a reconhecer este trabalho é muito bonito. Se há

Berenice Menegale idealizou e dirige atualmente a Fundação de Educação Artística, que completa 50 anos em maio

Berenice Menegale idealizou e dirige atualmente a Fundação de Educação Artística, que completa 50 anos em maio

esse reconhecimento, para nós é muito importante e mais adequado que qualquer outro”, afirma a diretora da Fundação de Educação Artística, Berenice Menegale. Na próxima segunda-feira, 27 de maio, o vereador Tarcísio Caixeta (PT) prestará uma homenagem à Fundação, que, neste mês, completa 50 anos. A entrega do Diploma de Reconhecimento Público será feita no plenário Amynthas de Barros da Câmara Municipal, às 19 horas.Na entrevista a seguir, Berenice Menegale, que idealizou e dirige atualmente a Fundação, fala da importância da arte e da cultura para o indivíduo e a sociedade e sobre as dificuldades enfrentadas pela instituição para levar adiante sua proposta.

Qual é a proposta da Fundação?

Entre os nossos objetivos, desde sempre, esteve o seguinte: a Fundação não fecharia as portas para ninguém que quisesse estudar música, mesmo que não tivesse recursos para pagar. Nós nunca fizemos seleção de alunos, nunca nos preocupamos em aceitar os alunos mais talentosos. Acreditamos que toda pessoa deveria ter o direito de se educar musicalmente até quando julgasse interessante para si mesma. A Fundação sempre foi uma casa aberta para receber as pessoas, ainda que não fossem excepcionais. Encontro todos os dias pessoas que foram alunas da Fundação e dizem que nunca esquecerão o bem que fez a elas ter passado por aqui, falam de como o ambiente era acolhedor, pais dizem que a Fundação os ajudou a criar os filhos, enfim, embora um de nossos grandes objetivos sempre tenha sido a formação do músico, ou seja, tornar o aluno apto a fazer suas escolhas, a proposta transcende a mera formação musical. Isso é possível porque a Fundação é uma entidade autônoma, não deve satisfação a nenhum órgão controlador, faz seus caminhos conforme o que é necessário.

Como a instituição se mantém?

Sempre acreditei que, junto com a escola formal, a universidade, os conservatórios, deveria haver um espaço mais livre, mais informal, que acompanhasse as individualidades, o ritmo de cada pessoa que escolhe – e tem o direito – de trilhar o caminho da música. A Fundação sobreviveu 50 anos porque ela é necessária, pois, na prática, não tem condições de sobreviver. Temos um déficit permanente e não contamos com nenhum tipo de isenção. É uma vida muito difícil, mas a Fundação sobrevive porque as pessoas procuram um ambiente para criar, testar suas habilidades na área da música, encontrar um caminho.

A Fundação acolhe alunos que não podem pagar. Como isso é possível?

O curso de música é caro. Temos muitas aulas individuais, aulas em pequenos grupos. Esse conjunto de atividades é dispendioso. Não poderíamos cobrar dos alunos o preço real, pois, neste caso, seríamos uma escola para ricos. Tirando os bolsistas, que têm gratuidade, os pagantes são quase exclusivamente pessoas de classe média. E não temos outra fonte de receita senão o pagamento das aulas. Isso sobrecarrega os pagantes. Por isso, estamos atualmente muito empenhados em ampliar o número de ofertas de atividades, cursos em outras áreas, que venham contribuir com a receita, para que tenhamos condição de reduzir o custo das mensalidades, ampliar o acesso da classe média e atender a outros públicos. Estamos formando um cardápio bem diferente fora da música, o que sempre fizemos, mas pontualmente. Agora, queremos elaborar um conjunto de ofertas simultâneas, para fechar essa equação. Além disso, tomamos a iniciativa de encaminhar projetos para as leis de incentivo, nos três níveis, e estamos sempre em busca de patrocinadores. Temos alguns que são fiéis, mas não suficientes para o que precisamos. Poderíamos ter uma programação ainda mais rica, mais interessante, se tivéssemos isso. Porque a prioridade é a manutenção da casa, pagar os professores, e os patrocínios entram uma vez por ano, o que dificulta muito. Essas dificuldades são permanentes. Tive uma ilusão de que o cinquentenário facilitaria para que tivéssemos uma bela programação, mas tem sido muito difícil. De qualquer maneira, em novembro, vamos lançar um livro para contar esses 50 anos e teremos o apoio da Fapemig (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais) para organizar o nosso acervo, o que vai ser importante.

Qual é a importância da arte para a sociedade?

Acho que o que há de mais importante para uma sociedade é a educação. Ao mesmo tempo, acredito que a educação não pode estar desvinculada da cultura, da arte. Acho que um dos males da sociedade moderna é este: hoje se fala muito em integração, mas se percebe que a educação não é integrada, há muitos compartimentos, há muitas especializações. E a arte seria um caminho para que essa integração se realizasse. E o patrimônio cultural só vai continuar a existir se houver uma contribuição nossa, do contrário vamos sempre ficar olhando o passado, o que é muito comum. Se não criamos hoje, se não valorizamos o que é feito hoje, estaremos renegando a nossa própria vida. Isso acontece com a música, mas não só com a música. Muitas pessoas cultas, por causa dos males da nossa educação não conseguem enxergar o valor da arte de seus contemporâneos. Se a gente não dialoga com os nossos contemporâneos, alguma coisa está errada. Vamos saltar este período, vamos olhar apenas o passado. Temos que estimular a arte e reconhecer os valores, mesmo porque em todas as épocas foi assim. Sempre os artistas estão à frente, não podemos rejeitar isso. Isso ocorre porque educação e cultura estão separadas. O papel da arte é permitir ao ser humano crescer de forma mais harmoniosa, em todas as suas dimensões.

E da música?

Qualquer manifestação cultural ajuda a viver. Vejo muito isso na Fundação. Vejo como os jovens encontram um caminho e se deixam seduzir pela música. Isso faz um bem enorme. Não é necessário ser um gênio para que você possa participar de uma dimensão que enriquece a vida. Não tenho dúvida de que se os centros de arte que têm este compromisso com a liberdade construtiva se multiplicassem o mundo seria melhor. Ainda que individualmente a pessoa não tenha tanto a contribuir, ela pode perfeitamente participar de uma criação coletiva. Isso enriquece a pessoa e a afasta de outras coisas que irão perturbá-la.

Como a Fundação recebe esta homenagem da Câmara Municipal?

Acho que o fato de ser a Câmara de Vereadores da cidade a reconhecer este trabalho é muito bonito. Porque este foi um projeto pensado para Belo Horizonte. Se hoje fazemos ligações até com a América Latina, Belo Horizonte é o local que concebemos como sede desse projeto. Se há esse reconhecimento da Câmara, para nós é muito importante e mais adequado que qualquer outro.

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